Se você reparou que seu filho vive apertando os olhos, piscando muito ou franzindo o rosto para enxergar, essa é uma das queixas mais comuns que recebo no consultório de oftalmopediatria. Nem sempre é problema de vista, mas quase sempre é motivo suficiente para uma avaliação.
O olho da criança é bom em compensar. Ela pisca, aperta, se aproxima do objeto e vai levando, sem falar nada, porque nunca conheceu outro jeito de enxergar. Por isso, o sinal costuma aparecer para os pais antes de aparecer para ela.
Sou a Dra. Cinthia Storti, oftalmopediatra em Três Lagoas, e neste texto explico o que costuma estar por trás do piscar excessivo, quando é só um cacoete passageiro e quando vale marcar a consulta o quanto antes.
Por que a criança pisca muito?
Piscar demais é uma reação do corpo, e as causas mais comuns em crianças são:
- Erros de refração ainda não corrigidos, como miopia, hipermetropia e astigmatismo
- Olho seco, muito comum em quem passa horas em tela
- Alergia ocular, com coceira e vermelhidão
- Conjuntivites de repetição
- Cílio virado para dentro ou pequena irritação na córnea
- Cansaço visual depois de muito tempo de leitura ou telas
- Tique nervoso, em fases específicas do desenvolvimento
Apertar os olhos costuma ir junto. Quando a criança aperta o rosto para olhar de longe, geralmente está tentando enxergar melhor, o mesmo movimento que um adulto míope faz sem perceber.
Quando é só cacoete e quando é sinal de vista?
Tique nervoso costuma aparecer em fases, em geral entre os 5 e 10 anos, sem ligação com o esforço para enxergar. A criança pisca com mais frequência em momentos de ansiedade ou concentração, e o hábito costuma diminuir sozinho com o tempo.
Já quando o piscar tem a ver com a vista, ele geralmente vem acompanhado de outros sinais: aproximar o rosto da TV, inclinar a cabeça, esfregar os olhos, dor de cabeça no fim do dia, dificuldade para copiar do quadro. Nesses casos, a origem é ocular, e mesmo que seja “só um pouquinho de grau”, tratar cedo faz diferença no aprendizado.
Como só o exame diferencia com segurança as duas situações, a orientação prática é: quando o piscar excessivo dura mais de duas ou três semanas ou vem com qualquer outro sinal, marcar a consulta.
E se for alergia ou olho seco?
Alergia ocular é uma das causas mais frequentes de piscar em criança. Ela vem com coceira intensa, olhos vermelhos, lacrimejamento e uma vontade constante de esfregar os olhos. Não é só incômodo: coçar demais pode machucar a córnea e piorar o quadro.
O olho seco também está cada vez mais comum em crianças, e o principal fator é o tempo de tela. Quando fixamos o olhar em uma tela, piscamos menos e a lágrima evapora mais rápido. O olho fica irritado, arde, e a criança pisca com mais frequência para compensar.
Quando levar a criança ao oftalmologista?
Vale marcar a avaliação quando o piscar excessivo:
- Persiste por mais de duas ou três semanas
- Vem com olho vermelho, secreção ou coceira
- Aparece junto com dor de cabeça, principalmente no fim do dia
- A criança começou a se aproximar da TV, do livro ou do celular
- Um dos olhos parece piscar mais que o outro
- A professora comentou dificuldade para enxergar o quadro
- Você percebe qualquer alteração no alinhamento dos olhos
Como é o exame para investigar?
A consulta é simples e não é invasiva. Começo com uma conversa com os pais para entender há quanto tempo o piscar acontece, em que situações ele aparece e o que já tentaram. Em seguida, faço a avaliação da acuidade visual, o exame do fundo de olho e a medição do grau, com colírio quando necessário.
Em criança pequena que ainda não lê, uso figuras e técnicas adaptadas à idade. Ao final, converso com você em linguagem simples sobre o que encontrei e proponho a conduta, seja prescrição de óculos, tratamento clínico da alergia, orientação sobre uso de telas ou simplesmente acompanhamento.
O que você não deve fazer
O erro mais comum é pingar colírio na criança por conta própria. Colírio de farmácia, mesmo os que parecem inofensivos, pode piorar quadros de alergia, disfarçar sintomas e atrasar o diagnóstico. Nenhum colírio deve ser usado em criança sem avaliação médica.
Outro engano é assumir que é “só um tique” e esperar meses passarem. Se for de fato um tique, o exame confirma e traz alívio para os pais. Se for problema de vista, a espera atrasa o tratamento em uma fase em que cada mês conta.
Piscar em excesso pede investigação, não paciência
Na maior parte dos casos, a causa é simples e o tratamento resolve em pouco tempo. Mas identificar a causa exige exame, e adiar essa consulta costuma custar mais do que agendá-la. Se algo parece diferente do de sempre, confie no seu olhar de mãe ou de pai e marque a avaliação.
Agende a consulta do seu filho
Se você notou seu filho piscando muito ou apertando os olhos, fale comigo pelo WhatsApp e agende uma avaliação em Três Lagoas. Atendo na Cristalle Medicina Ocular, com equipamentos adaptados para crianças de todas as idades.
Escrito por Dra. Cinthia Storti · Oftalmopediatra · CRM-MS 5879 · RQE 5149 · Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).