Quando o paciente me procura para falar sobre blefaroplastia, a primeira pergunta que faço é: o incômodo é mais com a aparência ou você sente que a pálpebra está atrapalhando a visão? A resposta ajuda a definir se estamos falando de uma blefaroplastia funcional, estética, ou das duas ao mesmo tempo — porque, na prática, é bem comum que uma se sobreponha à outra.
Entender essa diferença ajuda o paciente a chegar na consulta com expectativas mais claras sobre o que a cirurgia pode oferecer em cada caso.
Sou a Dra. Cinthia Storti, oftalmologista em Três Lagoas (MS), e realizo a avaliação, o procedimento e o pós-operatório da blefaroplastia. Neste texto, explico a diferença entre as duas indicações.
O que é blefaroplastia?
Blefaroplastia é a cirurgia que remove o excesso de pele e, quando necessário, de gordura das pálpebras superiores ou inferiores. Com o tempo, a pele da região perde elasticidade e pode “cair”, afetando tanto a aparência do olhar quanto, em alguns casos, o próprio campo de visão.
O que é a blefaroplastia funcional?
A blefaroplastia funcional é indicada quando o excesso de pele da pálpebra superior chega a cobrir parte do campo visual, atrapalhando a visão periférica ou superior. Nesses casos, a cirurgia não é só uma questão de aparência — ela devolve espaço para o olho enxergar o que estava sendo bloqueado pela pele.
É comum o paciente relatar cansaço ao final do dia, necessidade de levantar a sobrancelha para enxergar melhor, ou dificuldade em atividades que exigem campo visual amplo, como dirigir.
O que é a blefaroplastia estética?
A blefaroplastia estética é indicada quando o excesso de pele ou as bolsas de gordura nas pálpebras incomodam mais pela aparência do que pela função — um olhar que parece cansado, mais pesado ou envelhecido, sem necessariamente atrapalhar a visão. O objetivo, nesse caso, é rejuvenescer o olhar.
Como sei qual das duas se aplica ao meu caso?
A definição vem de uma avaliação clínica, que inclui exame das pálpebras e, quando há suspeita de comprometimento visual, um exame de campo visual para confirmar se e o quanto a pele está bloqueando a visão. Esse exame também é o que costuma respaldar a indicação perante convênios, quando a cirurgia é funcional.
A recuperação é diferente entre as duas?
A técnica cirúrgica de base é semelhante nas duas situações, então o período de recuperação costuma ser parecido: inchaço e alguns hematomas nos primeiros dias, com melhora progressiva nas semanas seguintes. O que muda é o objetivo da cirurgia e, às vezes, a extensão da remoção de pele, conforme o que foi identificado na avaliação.
O que você não deve fazer
O erro mais comum é decidir sozinho, sem avaliação, se o caso é “só estético” — muitas vezes existe um componente funcional que o próprio paciente não percebe, principalmente porque foi se adaptando à pele que caiu aos poucos, sem perceber que sua visão periférica já estava reduzida.
Um cuidado que une visão e bem-estar
Seja pela função, pela estética ou pelas duas razões juntas, a blefaroplastia costuma trazer um resultado que o paciente sente no dia a dia — tanto ao enxergar quanto ao se olhar no espelho. O primeiro passo é sempre a avaliação individual.
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Escrito por Dra. Cinthia Santoro Storti Perez · Oftalmologista · CRM-MS 5879 · RQE 5149 · Título de Especialista pelo CBO.