Uma dúvida que ouço em quase toda primeira consulta de pais e mães é essa: com que idade levar a criança ao oftalmologista? A resposta curta é que a primeira avaliação da visão acontece ainda na maternidade, com o teste do olhinho, e a primeira consulta completa com o oftalmologista deve ser marcada bem antes do que a maior parte das famílias imagina.
A visão da criança se desenvolve rápido nos primeiros anos de vida, e problemas que passam despercebidos nessa fase podem se tornar difíceis de tratar depois. Identificar cedo é sempre mais simples e mais eficaz.
Sou a Dra. Cinthia Storti, oftalmopediatra em Três Lagoas, e neste texto explico quando cada avaliação deve ser feita, quais sinais merecem atenção antes do tempo e como é uma consulta oftalmológica em bebê e criança pequena.
Por que levar a criança ao oftalmologista tão cedo?
Nos primeiros anos de vida, o cérebro está aprendendo a enxergar. Se um dos olhos não recebe uma imagem nítida nesse período, por qualquer motivo, o cérebro simplesmente deixa de trabalhar com ele. É o que chamamos de ambliopia, ou “olho preguiçoso”.
Quando a ambliopia é detectada até por volta dos 6 ou 7 anos, o tratamento costuma dar bons resultados. Depois dessa idade, as chances de recuperar totalmente a visão daquele olho diminuem bastante. É por isso que a rotina de avaliação começa cedo, mesmo sem queixa nenhuma dos pais.
Com que idade fazer o primeiro exame oftalmológico completo?
A recomendação da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica é dividir a rotina em algumas etapas:
- Teste do olhinho ainda na maternidade e nos primeiros meses
- Primeira consulta oftalmológica completa entre 6 meses e 1 ano
- Nova avaliação entre 3 e 4 anos, antes da alfabetização
- Reavaliação por volta dos 5 e 6 anos, na entrada do ensino fundamental
- Depois disso, exame anual de rotina
Esse calendário vale para crianças sem queixa e sem histórico familiar. Se existe algum sinal ou um caso importante na família, a consulta é antecipada.
Quais sinais devem levar a criança ao oftalmologista antes do tempo?
Independentemente da idade, alguns sinais pedem avaliação com oftalmologista o quanto antes:
- Olhos que ficam desalinhados, mesmo que de vez em quando
- Reflexo esbranquiçado no olho da criança nas fotos com flash
- Lacrimejamento excessivo, secreção ou olho vermelho de repetição
- Coceira frequente, aperto ou piscadas em excesso
- A criança se aproxima muito da TV, do livro ou do celular para enxergar
- Reclama de dor de cabeça, principalmente no fim do dia
- Vira o rosto ou inclina a cabeça para olhar
- Tem dificuldade na escola que não parece problema de aprendizado
Nenhum desses sinais é diagnóstico por si só. São pistas de que vale marcar uma avaliação em vez de esperar a próxima consulta de rotina.
Como é feita a consulta em um bebê ou em uma criança pequena?
A consulta oftalmológica infantil não depende de a criança saber ler ou reconhecer letras. Uso equipamentos e técnicas adaptadas à idade, com figuras, luzes e brincadeiras que avaliam a visão sem exigir colaboração como a de um adulto.
Em bebês e pré-escolares, uso o exame do reflexo vermelho, a avaliação do alinhamento dos olhos e a retinoscopia sob cicloplegia, que é a técnica que permite medir o grau mesmo em quem não fala. A consulta é conduzida no ritmo da criança, com pausas quando ela precisa, e no fim converso com os pais para explicar tudo em linguagem simples.
De quanto em quanto tempo repetir o exame?
Para a criança sem alteração e sem histórico familiar, o exame anual costuma ser suficiente a partir dos 5 ou 6 anos. Antes disso, os retornos seguem o calendário que expliquei acima.
Já a criança que usa óculos, que está em tratamento de ambliopia ou que tem alguma condição diagnosticada precisa de retornos mais próximos, definidos caso a caso. Nessa fase, o grau muda rápido, e um controle bem feito evita atrasos no aprendizado e no desenvolvimento.
O que você não deve fazer
O erro mais comum é esperar que a criança “reclame de vista” para procurar um oftalmologista. Criança pequena não sabe que enxerga diferente do resto do mundo, porque nunca conheceu outra coisa. Se um olho enxerga menos que o outro, ela simplesmente vai usar o que enxerga melhor, sem falar nada.
Outro engano frequente é confiar apenas no teste que é feito na escola. O rastreamento escolar ajuda, mas não substitui a consulta oftalmológica completa, feita com os equipamentos certos.
Cuidar da visão da criança começa cedo
Levar a criança ao oftalmologista no tempo certo é uma das formas mais simples de proteger o desenvolvimento dela. A consulta é rápida, não é invasiva e traz respostas claras. Na dúvida entre esperar mais um pouco ou marcar agora, sempre vale marcar agora.
Agende a consulta do seu filho
Se você quer agendar a primeira consulta do seu filho com uma oftalmopediatra em Três Lagoas, fale comigo pelo WhatsApp. Atendo na Cristalle Medicina Ocular e recebo crianças de todas as idades.
Escrito por Dra. Cinthia Storti · Oftalmopediatra · CRM-MS 5879 · RQE 5149 · Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).