O teste do olhinho é a primeira avaliação oftalmológica que o bebê recebe ainda nos primeiros dias de vida, geralmente na maternidade. É um exame rápido, simples, indolor, e pode identificar precocemente doenças graves que, se descobertas cedo, têm tratamento com resultados muito melhores.
Mesmo sendo obrigatório por lei em vários estados, muitas famílias ainda não sabem o que exatamente é avaliado e por que ele precisa ser repetido depois. É uma dúvida que aparece toda semana no consultório.
Sou a Dra. Cinthia Storti, oftalmopediatra em Três Lagoas, e neste texto explico o que o teste do olhinho detecta, como é feito, quando precisa ser repetido e o que fazer se o resultado vier alterado.
O que é o teste do olhinho?
O nome técnico é teste do reflexo vermelho. O médico direciona uma luz especial para os olhos do bebê e observa o reflexo que aparece na pupila. Em um olho saudável, esse reflexo é uniforme, brilhante e avermelhado, muito parecido com aquele efeito de olho vermelho que aparece em fotos com flash.
Quando esse reflexo não aparece, aparece esbranquiçado ou é diferente entre os dois olhos, é sinal de que algo está bloqueando ou alterando o caminho da luz dentro do olho. É por aí que o exame identifica problemas que, na maioria das vezes, não têm sintoma visível nos primeiros meses.
Por que o teste do olhinho é tão importante?
Nos primeiros meses de vida, o cérebro do bebê está aprendendo a enxergar. Se um dos olhos não recebe imagens claras nesse período, ele deixa de se desenvolver corretamente, e o dano à visão pode se tornar permanente.
O teste do olhinho é a única forma de identificar precocemente algumas dessas condições, porque o bebê não fala e os pais não têm como perceber que algo está errado só de olhar. Um exame de segundos pode mudar o desfecho de uma vida.
Quais doenças o teste do olhinho pode detectar?
O exame ajuda a identificar precocemente condições como:
- Catarata congênita, quando o cristalino do bebê já nasce opaco
- Glaucoma congênito, que causa aumento da pressão dentro do olho
- Retinoblastoma, um tumor raro, porém grave, da retina infantil
- Alterações do nervo óptico e da retina
- Infecções que atingiram o bebê ainda na gestação
- Grandes alterações de grau que já existem ao nascer
Muitos desses quadros são raros, mas todos têm em comum o fato de que, quando descobertos nas primeiras semanas, o tratamento é infinitamente mais eficaz.
Como é feito o exame?
O teste do olhinho é feito com um aparelho chamado oftalmoscópio, no ambiente semiescuro. A luz é dirigida aos olhos do bebê a uma distância curta e o reflexo é observado por alguns segundos em cada olho. Não é preciso pingar colírio, não dói, não incomoda e o bebê pode estar acordado ou dormindo.
Na maternidade, o exame costuma ser feito nas primeiras 48 horas de vida por um pediatra ou pelo oftalmologista da equipe. Se o bebê não fez ainda, o exame pode ser realizado no consultório oftalmológico logo depois da alta.
Quando repetir o teste do olhinho?
Uma dúvida frequente é achar que o teste feito na maternidade basta. Não basta. Algumas condições, como a catarata e o glaucoma, podem se manifestar em fases diferentes, e nem sempre estão presentes ao nascer.
A recomendação da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica é repetir o exame:
- Na primeira consulta com o pediatra, após a alta da maternidade
- A cada retorno pediátrico do primeiro ano de vida
- Na primeira consulta com o oftalmologista, entre 6 meses e 1 ano
Depois dessa fase inicial, a criança segue no calendário normal de consultas oftalmológicas, com avaliação entre 3 e 4 anos e, depois, anualmente.
E se o resultado vier alterado?
Um teste do olhinho alterado não é diagnóstico, é um sinal de que aquele bebê precisa de uma avaliação mais aprofundada com oftalmologista. Muitas vezes, o exame complementar mostra que estava tudo bem e que a alteração era apenas técnica.
Quando existe de fato uma alteração, quanto mais cedo o encaminhamento acontece, melhor. Nesses casos, faço a avaliação completa no consultório, com equipamentos que permitem examinar o interior do olho do bebê em detalhe e definir a conduta a partir dali.
O que você não deve fazer
O erro mais comum é considerar que o teste feito na maternidade é suficiente para o resto da vida. Como algumas doenças aparecem nos primeiros meses, o exame precisa ser repetido, e a primeira consulta com o oftalmologista ainda dentro do primeiro ano continua sendo indispensável.
Outro engano é ignorar sinais que aparecem depois, como reflexo esbranquiçado nas fotos com flash, olhos que ficam desalinhados ou lacrimejamento constante. Nessas situações, mesmo com teste do olhinho normal na maternidade, vale marcar a avaliação.
Um exame simples que muda vidas
O teste do olhinho leva poucos segundos e é uma das ferramentas mais importantes na prevenção da cegueira infantil. Fazer, repetir e complementar com a consulta oftalmológica no primeiro ano são passos que garantem que a visão do bebê comece com o pé direito.
Agende o teste do olhinho ou a consulta do seu bebê
Se o seu bebê ainda não fez o teste do olhinho, se você tem alguma dúvida sobre o resultado ou se quer agendar a primeira consulta oftalmológica dele, fale comigo pelo WhatsApp. Atendo na Cristalle Medicina Ocular, em Três Lagoas.
Escrito por Dra. Cinthia Storti · Oftalmopediatra · CRM-MS 5879 · RQE 5149 · Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).